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El Niño mostra a cara e promete verão repleto de temporais e estiagens

Tempestades intensas no Rio Grande do Sul indicam a presença do fenômeno

January 10, 2019 19:56  |  Redação - Canal Rural
Guarda-chuva

 

A estação mais chuvosa do ano chegou com dúvidas sobre a distribuição e quantidade da precipitação no Brasil. Isso acontece em parte pela primavera, que foi caracterizada pelos extremos, ora muito chuvosa, ora muito seca. E as dúvidas também surgem em função da temperatura do Pacífico, que está mais elevada que o normal desde meados de 2018, mas que não foi suficiente para o desenvolvimento de um fenômeno El Niño até o momento.

 

Para o primeiro trimestre de 2019, período que engloba a maior parte do verão, a previsão é de chuva entre a média e acima da média no Sul, Triângulo Mineiro, leste e norte do Nordeste e o sudoeste da região Norte, entre o Acre, Rondônia e sul e oeste do Amazonas.

 

Por outro lado, o acumulado de chuva não será suficiente para alcançar a média entre o leste do Paraná e a divisa do Rio de Janeiro com Minas Gerais, em Mato Grosso do Sul, no Recôncavo Baiano e nas porções leste e norte da região Norte.

 

Isso não implica obrigatoriamente em ausência completa de precipitações nas áreas com chuva abaixo da média e chuva regular nas áreas com chuva acima da média. Isso somente indica que a região Sul, que normalmente não tem chuva forte no verão, terá incremento da precipitação pelo efeito El Niño, embora o fenômeno seja fraco.

 

“Esses temporais do Rio Grande do Sul já estão mostrando mais os efeitos do El Niño. Existem áreas do oeste do estado que registraram mais de 400 milímetros em apenas dois dias, de acordo com o Cemaden (Centro Nacional de Alerta e Monitoramento de Desastres Naturais), volume três vezes maior do que o esperado para todo janeiro”, explica Desirée Brandt, da Somar.

 

Outra área influenciada pelo aquecimento do Pacífico será o leste e o norte do Norte, região dependente de um sistema chamado Zona de Convergência Intertropical, que enfraquece em períodos de El Niño.

 

No Sudeste e Centro-Oeste, as áreas com chuva abaixo da média indicam menor chance de longos períodos fechados e chuvosos. A maior parte da chuva acontecerá na forma de pancadas. E no leste e norte do Nordeste, apesar de parecer um contrassenso, a chuva acima da média acontece de forma indireta pelo El Niño.

 

“Quando o Pacífico aquece, um sistema chuvoso tropical chamado de Alta da Bolívia desloca-se para o oeste da América do Sul. Isso faz com que outro sistema comum do continente, chamado de Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), migre da costa para o interior do Nordeste”, diz Desirée.

 

O centro do VCAN inibe chuva, enquanto que a borda causa pancadas. O leste e norte do Nordeste ficarão sob a parte ativa do sistema, fazendo com que a precipitação fique acima do normal.

 

Por fim, depois de uma primavera fria, o verão será caracterizado pelo calor, como muitos já estão percebendo. A expectativa é de temperatura entre a média e acima da média na maior parte das regiões, com destaque para o Pantanal, Distrito Federal e boa parte da região Norte.

 

Pryscilla Paiva, editora de Tempo do Canal Rural