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Condições para geadas aumentam neste fim de semana

Já nevou na tarde desta quinta-feira em Urupema e São Joaquim, na Serra Catarinense

August 9, 2018 18:51  |  Redação - Canal Rural
Geada

Frio combina com neve e geada, mas esses fenômenos não podem acontecer concomitantemente. Para termos geadas precisamos de uma condição de céu aberto com ausência de ventos e temperaturas próximas de 3 graus. A neve já é a junção de instabilidades com o ar frio.

“Quando a temperatura está inferior a zero grau dentro da nuvem, temos a precipitação de flocos de neve. É diferente do granizo, que é a gota que cai líquida e no meio do caminho congela”, explica Desirée Brandt, meteorologista da Somar.

Na tarde desta quinta-feira, dia 9, já tivemos o registro de neve nas cidades de São Joaquim e Urupema, que ficam na serra catarinense. Para esta sext-feira, dia 10, a chance de neve continua nos pontos mais altos das serras gaúcha e catarinense.

Para o produtor rural brasileiro, a geada é um fenômeno muito mais recorrente e devastador nas lavouras. No Sul do Brasil, a formação de geada é bem mais frequente em áreas produtoras, já que a neve acontece apenas em pontos mais turísticos de serra.

As últimas atualizações da previsão do tempo mostram que as áreas do interior da região Sul, com exceção da serra, vão ter tempo bem mais aberto e agora uma menor quantidade de nuvens.

Para esta sexta, há risco de geada no Rio Grande do Sul, norte de Santa Catarina e parte do sul, leste e sudoeste do Paraná, como mostra a figura 1 ↑. É um frio que pode prejudicar principalmente as lavouras de milho segunda safra que ainda não foram colhidas e o trigo em fase de florescimento do Paraná.

“No Rio Grande do Sul, o trigo foi plantado mais tarde e está em fase vegetativa, que é menos suscetível ao frio. Apenas temperaturas inferiores a 3 graus negativos podem afetar o cereal nesta fase fenológica, e não há previsão para temperaturas tão baixas assim”, explica Brandt. As mínimas devem ficar em torno dos 3 graus.

No sábado, dia 11, o risco para geadas continua no sul e pode até mesmo atingir lavouras de hortaliças no sul de São Paulo e as pastagens e o milho do sul de Mato Grosso do Sul (figura 2 ↑).

No domingo, dia 12, a massa de ar polar perde força e a condição para geada fica restrita a serra catarinense e a serra da mantiqueira em São Paulo, como mostra a figura 3 ↑. Existe a previsão de uma nova onda de frio na virada de agosto.

“Esta talvez seja a última do inverno, mas vamos continuar o monitoramento porque as previsões estão oscilando entre o fim de agosto e os primeiros dias de setembro. Uma onda de frio tardia como esta pode prejudicar mais o trigo, inclusive no Rio Grande do Sul, além de deixar o solo mais frio, o que traz possíveis atrasos para a instalação das lavouras de verão da safra 2018/19”, conclui Desirée.

Pryscilla Paiva, editora de Tempo do Canal Rural