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Geadas ameaçam lavouras de milho até a sexta-feira 13

Paraná e Mato Grosso do Sul são os estados em que o risco é maior

July 11, 2018 19:15  |  Redação - Canal Rural
Atualizado em: July 12, 2018 17:04  |  Redação - Canal Rural
Geada

 

Ao longo da última semana, o tempo permaneceu seco em todas as principais regiões produtoras de milho do Centro-Sul do país, sem chuvas significativas, que junto com as temperaturas mais altas registradas na última semana ainda houve maior perda de água do solo, agravando a deficiência hídrica nessas regiões, inclusive no centro-norte do Paraná, onde a umidade ainda estava um pouco mais alta na semana anterior.

Nesse início de semana, com a passagem de uma frente fria, as temperaturas caíram em Mato Grosso do Sul, São Paulo e todos os estados do Sul, levando geadas a algumas áreas dessas regiões. Foi registrada geada nas cidades de Água Clara, Amambai, Aquidauana, Bela Vista, Camapuã, Jardim, Maracaju, Ponta Porã, Juti, Rio Brilhante e Sidrolândia. Muitas com sensação térmica de apenas 0 grau.

A geada é o fenômeno meteorológico que consiste em depósito de gelo nas superfícies expostas ao frio, que estejam em temperaturas em torno de 0°C. O gelo fica em forma de agulhas, prismas, escamas, dentre outros. É o resultado da sublimação do vapor d’água do ar adjacente, sobre a superfície do solo, das plantas e dos objetos expostos ao ar.

Até o momento, a falta de chuvas significativas ainda é o maior problema para as lavouras de milho em todo o Centro-Sul, onde perdas já foram registradas desde Mato Grosso até o sul do Paraná. Porém, com as geadas ocorridas nesta última quarta-feira, dia 11, algumas lavouras de Mato Grosso do Sul e do Paraná também tiveram registros de ocorrência do evento, que pode afetar, mas apenas de forma pontual, as lavouras que ainda estão em fase de frutificação.

Até no final da última semana, o Paraná tinha colhido apenas 3% de todas as áreas de milho do estado, sendo que 51% estava em fase de frutificação e 49% estava em fase de maturação, o que significa que a colheita deve ganhar força nas próximas semanas.

Em Mato Grosso do Sul, foram colhidas 7,6% das áreas de milho do estado, praticamente na média dos últimos 5 anos, que é de 7,5%. A maior parte das lavouras está em fase final de maturação e, assim, poucas áreas devem ser afetadas de forma significativa pela estiagem registrada nas últimas semanas. Apenas algumas áreas do centro-sul do estado devem sentir mais a falta de chuvas e, principalmente agora, as baixas temperaturas ocorridas nesta semana na região mais ao sul do estado.

Em Mato Grosso, as lavouras não devem ser afetadas pelas baixas temperaturas, principalmente pelo fato de que a maior delas já entraram em fase de maturação. Porém muitas lavouras já sentiram a falta de chuvas das últimas semanas e há risco de perda de produção no estado.

As lavouras que ainda estão em fase de frutificação são as mais afetadas no momento pela estiagem. No estado foram colhidas 34,3% das áreas plantadas até a semana anterior, 7,7% abaixo do realizado no ano anterior e praticamente na média dos últimos 5 anos.

Situação semelhante de risco de perdas pela estiagem estão os estados de Goiás, São Paulo e Minas Gerais, além dos estados da região do Matopiba, onde a umidade dos solos da região está abaixo dos 10% de capacidade de armazenamento dos solos e produtores já registraram perdas significativas na região.

Nesses próximos dias ainda há risco de geada moderada a fraca no sul do estado do Paraná e pontos do Mato Grosso do Sul, mas sem risco de provocar perdas significativas nas lavouras de milho. As temperaturas seguem com tendência de elevação ao longo da semana e início da próxima.

Porém também não devem ocorrer chuvas significativas em todas as principais regiões de milho segunda safra. Isso vai manter as condições de baixa umidade dos solos, diminuindo a disponibilidade hídrica para as lavouras que ainda estão em fase de frutificação e provocando maior risco de perdas.

Pryscilla Paiva, editora de Tempo do Canal Rural